quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Vou atrás da jumenta
Sou um leão, notei que minha espécie tem meio de se comunicar. Esses humanos tem sua linguagem, eu os entendo, mas eles não me entendem. Aliás, os animais desenvolveram um meio de se comunicar com os humanos: olhares, jeitinhos, manias, lambidas, artes e xixi nos lugares indesejáveis. Reparei que os animais entre si, senão tem mesma linguagem, se comunicam: rosnam, arrepiam, mudam de cores, exibem as cores de seu corpo e outros truques que me fascinam. Os seres humanos podem falar, não precisam de truques, mas que zona fazem por causa disso. Melhor se tivessem grunhidos ao invés de sons vindos de suas cordas vocais. Brigam por causa de uma palavra. Se chateiam por causa de meia. As palavras são como abelha: ferrão e mel. Eles preferem o ferrão e a coisa fica feia. Deus os criou assim e o que deu certo foram os animais, cada um sabe administrar seu espaço, não leva outro a extinção. Animais não escutam rádio, não cantam funk, não glorificam o Senhor cantando mais alto que maritacas. E eu aqui, nessa selva de pedra sem ninguém pra conversar. Mas sabe, conheço a história de uma jumenta. A mula de Balaão. Quem sabe quando eu achá-la poderei conversar sem correr o risco de apanhar de um bordão ou parar dentro de uma jaula.
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