quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vou atrás da jumenta

Sou um leão, notei que minha espécie tem meio de se comunicar. Esses humanos tem sua linguagem, eu os entendo, mas eles não me entendem. Aliás, os animais desenvolveram um meio de se comunicar com os humanos: olhares, jeitinhos, manias, lambidas, artes e xixi nos lugares indesejáveis. Reparei que os animais entre si, senão tem mesma linguagem, se comunicam: rosnam, arrepiam, mudam de cores, exibem as cores de seu corpo e outros truques que me fascinam. Os seres humanos podem falar, não precisam de truques, mas que zona fazem por causa disso. Melhor se tivessem grunhidos ao invés de sons vindos de suas cordas vocais. Brigam por causa de uma palavra. Se chateiam por causa de meia. As palavras são como abelha: ferrão e mel. Eles preferem o ferrão e a coisa fica feia. Deus os criou assim e o que deu certo foram os animais, cada um sabe administrar seu espaço, não leva outro a extinção. Animais não escutam rádio, não cantam funk, não glorificam o Senhor cantando mais alto que maritacas. E eu aqui, nessa selva de pedra sem ninguém pra conversar. Mas sabe, conheço a história de uma jumenta. A mula de Balaão. Quem sabe quando eu achá-la poderei conversar sem correr o risco de apanhar de um bordão ou parar dentro de uma jaula.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pra que eu fui modernizar logo de cara?

A vida na cidade é tão selvagem que resolvi arrumar uma distração.
Não dava pra ver tanta boçalidade e horror toda hora. Quiz ficar com outros animais que vagam, opa, quero dizer, bichos que estam na rua.
Porém, me avisaram que o destino deles nem sempre é feliz. Resolvi então seguir a dica de um gato. Feliz por terem dado seu nome a qualquer trambique tecnológico, me recomendou ir na lan house.
Tem uns joguinhos violentos, mas tem um tal de Youtube com muito video interessante.
Video aqui, video ali: http://www.vista-se.com.br/terraqueos/
...
Um silêncio tomou conta da minha alma, pois neste momento eu vi que o ser humano se a tem, só depois de morrer que descobre. Eu gosto de carne, mas o que essa gente loira de olhos azuis faz para obter a carne...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A vida na selva é sob a lei da natureza. É tudo tão certinho que aqueles gnus que morrem no rio, aquelas zebrinhas que colorem de vermelho o preto e branco, e outras coisas mais selvagens são tõr normais que cansei. É, cansei!
Vou pra cidade, curtir uma selva de pedra. Quero algo sem padrão, algo mais zoneado. Quero selvageria de verdade.
Quero entender como Aquele Cara que fez tanto bicho legal na selva fez tanto animal na cidade.
Vou até ver uns filmes para ver se entendo. Me falaram que a coisa é tão absurda que na verdade tudo isso é um programa, tudo é controlado por computador.
Eu já tive sorte. Já vivi coincidências. Mas na cidade é incrível. Usam religião para fatos acontecerem ou se obter alguma coisa. Nada é natural. Dizem que até quem morre pode voltar. Acho que é coisa de computador mesmo.
Bom, primeiro vou tomar um ar. É tanta coisa para ver, é tanta coisa pra falar.